*Publicado nesta data em Coletiva.net
O medo é uma arma poderosa para a
mobilização das pessoas e coesão dos povos. O regime nazista chegou ao estado
da arte na utilização desse sentimento como estratégia para manipular o povo
alemão e fazê-lo aceitar a guerra e outras atrocidades que viria cometer.
Hermann Göring , considerado o braço direito de Hitler
e um dos principais arquitetos do Terceiro Reich, revelou em Nuremberg, onde
aguardava julgamento, que o que leva uma nação ao conflito é a capacidade dos
seus líderes em convencer a população de que existe uma ameaça externa iminente.
“A verdadeira ameaça é quem lidera o povo”, resumiu. E mais: os pacifistas devem ser acusados de
traidores da pátria. O medo bem utilizado funciona nesse sentido. É o poder
manipulando o medo.
A perturbadora reflexão ocorreu durante conversa
privada com o psicólogo americano Gustave Gilbert, personificado pelo
oscarizado Rami Malek no filme Nuremberg, que está em exibição nos cinemas.
Estamos no Brasil, no século 21, mas essa questão
continua importante como sempre e o que se impõe no contexto de um ano
eleitoral é distinguir como o medo vai aparecer na campanha deste ano? Lula já
foi vítima dele em campanhas anteriores, basta lembrar o factoide da vinculação
dele ao sequestro de Abílio Diniz, na véspera da eleição de 1989 e mais recentemente,
o episódio de Regina Duarte, em 2002, afirmando
textualmente que “eu tenho medo de uma possível
vitória de Lula”
A campanha de Bolsonaro usou com eficiência o fator
medo na campanha contra Haddad, mas a esquerda também apela, ao acenar com a volta
da fome, o fim de direitos sociais, os
riscos à democracia e a soberania ameaçada, se a direita assumir o poder, entre
outros perigos que o bolsonarismo representaria. A desinformação ou a
informação deformada realimentam o medo. A verdade é que não tem mocinho neste
processo.
Pesquisa do DataFolha,. divulgada em março, há sete
meses das eleições, revela que a insegurança, o medo do futuro e o desanimo
predominam entre as emoções quando os eleitores falam sobre a situação atual do
país. Vale registrar que nem se está
tratando do medo da violência nossa de cada dia, que merece outra abordagem e,
finalmente, está mobilizando o governo
federal com um pacote contra o crime organizado.
Agregue-se “estrutural” – como está na moda – ao medo
e teremos uma ideia mais clara do ambiente neste ano eleitoral. O medo
estrutural decorre de um ambiente de insegurança permanente, quase
naturalizado, permeando instituições e relações sociais. Influenciam comportamentos
com cautela excessiva ou paralisia. Não é somente individual, mas um sistema
onde os agentes temem uns aos outros, retroalimentando desconfiança e inação.
No Brasil, ocorre uma espécie de “medo cruzado” entre os poderes (Supremo,
Congresso, Executivo), onde desconfianças mútuas podem limitar ações
necessárias ou gerar exageros (definições by I.A.)
O cientista social Fernando Schuller em recente coluna,
aponta o dedo justamente para o andar de cima, especialmente o STF, ao agir severamente
contra críticas como se fossem ataques ao Judiciário. O resultado seria “a
criação de uma sociedade do medo”, que “irradia um efeito inibidor”..
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