* Publicado nesta data em Coletiva.net
O DutraVoto, meu instituto pessoal de análises
políticas, divide o processo eleitoral em duas etapas. Esclareço que a
formulação não tem qualquer valor científico, mas é resultado de boas e más
experiências com candidaturas majoritárias.
Assim, a primeira etapa é a campanha política, chamada
de pré-campanha, que precede a liberação da propaganda eleitoral. É a fase de
amarrar as coligações para garantir tempo de propaganda, negacear e negociar
apoios, definir os grupos de trabalho, a equipe de marketing e as estratégias,
buscar financiadores, ou seja, preparar o terreno para a batalha eleitoral que
se avizinha. Tempo de troca-troca de partidos, de convenções partidárias e de
mobilização das bases.
Nessa etapa os comitês consolidam o manancial de
fragilidades dos principais adversários, aqueles episódios que vão ser
apresentados no horário político e viralizados na internet, podendo
desestabilizar uma candidatura, dependendo da gravidade e do grau de
envolvimento do visado. Tudo o que foi
dito, as parcerias inconvenientes, as ações e decisões que deixam margem a
dúvidas, promessas não cumpridas, questões jurídicas pendentes ou transitadas
em julgado, e toda a vida pessoal do candidato é vasculhada e fica à disposição
dos marqueteiros para serem usadas devida ou indevidamente no momento oportuno.
Adivinhem o que estão fazendo as equipes de Lula e Flávio Bolsonaro neste
momento?
Depois vem a fase decisiva, a campanha eleitoral
propriamente dita, na internet e nas ruas – neste ano começa em 16 de agosto
nas ruas e na internet e, em 28 de agosto, no rádio e na TV. Aqui começa pra valer a operação das equipes,
contratadas no mínimo, um mês antes. As militâncias voluntária e remunerada vão
às ruas para dar visibilidade ao candidato, que se prepara para muitos jantares
a base de galeto, salchipão, discurseiras e promessas, que às vezes não se
cumprirão. O plano de governo, mera
ficção em muitos casos, já estará finalizado.
As pesquisas balizam a campanha. Se os números são
favoráveis, não faltam recursos, nem militância e novos apoios, o entusiasmo
carrega a candidatura, enquanto os adversários ficam mais agressivos. Porém, se
os números não ajudarem, a campanha vira um eletrocardiograma e é preciso
cuidado para não acabar num salve-se quem puder, a empolgação se vai, a equipe da campanha
começa a sofrer pressões, isso quando não é trocada.
Também ocorre
com frequência a alteração de todo o planejamento prévio, porque os adversários
pesaram a mão nos ataques. Então, a campanha se move por um lado pela
necessidade de mostrar propostas e, por outro, por defesas contra os oponentes
e os respectivos contra-ataques. É adrenalina pura.
A regra básica é: a candidatura que não se preparou bem na
campanha política, tem mais chances de enfrentar dificuldades na campanha
eleitoral. Um erro de avaliação pode custar quatro anos longe do poder.
Ao resgatar esse quase tutorial de eleições, recordo
que já vivi as duas fases em distintas campanhas, com vitórias e derrotas, e
não sinto nenhuma saudade daqueles tempos. Hoje meu único papel no processo
eleitoral é o mais importante: o do eleitor, (que conhece as fases do processo
e muitos “interésses” que não são confessados pelas candidaturas)
*Valeu, Martinelli.
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