domingo, 1 de novembro de 2015

Não me deixem só

Não precisa relógio, nem calendário.  O ano começa a chegar ao fim quando a Feira do Livro toma conta da Praça da Alfandega.  Mais do que anunciar a primavera e a quadra final do ano – e tomara que  este dramático 2015 vá embora logo -  a Feira é um momento mágico no Centro Histórico, refugio confortável e abrigo seguro de quem gosta de prosa e verso em forma de livro. Me incluo nessa.

Comecei a frequentar a Feira na década de 70 do século passado quando trabalhava nos veículos da então Caldas Junior.  As barraquinhas, mais modestas e em menor número, ficavam a meia quadra da vetusta Caldas e não havia como fugir à tentação de manusear e adquirir os livros em oferta.  Lembro de numa primeira incursão, acompanhado do Nilson Souza (hoje editor de Opinião da Zero Hora) quando comprei O Príncipe,  de Maquiavel, manual de politica ainda atual, que permanece ornando minha modesta estante e é consultado eventualmente.

A Feira cresceu,  acrescentou outras atrações, mas mantem inalterado seu charme e o apelo à leitura, à reflexão, à interação entre leitores e autores. Em razão de cargos que assumi acabei participando mais diretamente do evento, sem jamais  deixar  de ser o consumidor ávido de livros,  que é o perfil do principal protagonista frequentador da  praça nestes dias. Em uma das edições recentes cheguei a comprar mais de 30 livros entre lançamentos e os selecionados nos balaios dos sebos e ofertas.  É bem verdade que o ritmo das minhas leituras diminuiu  sensivelmente por causa das redes sociais, as quais me dedico mais do que deveria.  Isso, aliás, está ocorrendo em grande escala, especialmente entre as novas gerações, impactando no mercado livreiro. No meu caso, porém,  a compulsão pelos livros da Feira continuou e tenho agregado às aquisições as edições infantis, quanto mais coloridas melhor,  que brindo às  netas Maria Clara e  Rafaela,  para que desde cedo gostem de ler e, quem sabe,  escrever.

Nesta semana volto a feira em outra condição. No dia 6, próxima sexta-feira, as 17 horas,  o autor de Crônicas da Mesa ao Lado sobe o estrado do pavilhão de autógrafos para colocar seus  garranchos nos exemplares dos que apareceram.  Confesso que estou preocupado. Sempre fica aquela dúvida angustiante: e se ninguém aparecer?  Já fui a sessão de autógrafos na Feira em que era um dos raros presentes, vendo penalizado o autor desamparado.  Acho que pelo menos os parentes vão marcar presença e felizmente a família não e pequena. Aos amigos e outros potenciais interessados lanço um apelo: não me deixem só!