domingo, 9 de março de 2014

Tenho visto e ouvido coisas!

Um companheiro de outras jornadas, coisa das antigas, costumava expressar seu espanto diante das surpresas dessa vida com um “Tenho visto coisas”, que eventualmente também uso em iguais circunstancias.  Só que não estava preparado para a sucessão de desatinos, aberrações e  absurdos em geral que venho observando neste inicio de 2014. Pelo jeito, nesse andar, o ano  vai bater  fácil as maluquices e infortúnios de 2013, do qual ainda estamos nos recuperando de tanto que aprontou.

E eu que aos 6.4 pensei que já tivesse visto de tudo deparo-me agora com um bate boca virtual entre um  renomado deputado e a personagem fake da presidente, a Dilma Bolada. Troca de farpas das boas e olha que a campanha eleitoral ainda nem começou. Ainda no plano nacional continuo  impactado pelo nível dos debates no Supremo Tribunal  em torno do Mensalão. Transformaram o STF em autentica borracharia. Só falta calendário de mulher pelada.   A crise de autoridade do poder judiciário  talvez explique esse movimento calhorda de volta dos milicos ao poder, que começa preocupantemente a ganhar corpo.  Não entiquem com os Homi, vai que eles gostem...
É preocupante também o fato de que viramos o pais das minorias, não essas “minorias absolutas” que um âncora televisivo, metido a descolado,  teria pronunciado  a propósito do Dia Internacional das Mulheres.  Refiro-me as minorias que estão atazanando a vida das cidades, como se já não houvesse problemas suficientes nas grandes metrópoles. Um bom exemplo – na verdade mau exemplo -  veio dos garis que transformaram o Rio numa imensa lixeira e assim garantiram um bom aumento.  Aqui, uma minoria vai pra frente das garagens e para  o transporte coletivo quando é contrariada nos seus interesses.  E as forças de segurança só agem depois de muita pressão.  Mas esperar o quê depois que os bombeiros,  só de birra porque a justiça autorizou os desfiles,  não prestaram assistência ao Carnaval no Porto Seco?

Não pensem que pisada na bola e desvario  é privilégio nosso. No leste europeu, a Rússia simplesmente deu de mão num naco da Ucrânia, e tem a cara de pau de afirmar que não invadiu a Criméia, apesar da visível presença de tropas e blindados na região.  Mais próximo daqui, na Venezuela, o Maduro garante que ainda hoje se comunica  com Hugo Chaves, morto há um ano,...através de um passarinho!
E o que dizer dessas manifestações racistas no futebol? Logo no futebol que tem no talento dos negros um dos seus principais valores. Imaginava que estava bem longe o tempo em que o jogador Carlos Alberto teve que se maquiar com pó-de-arroz para  jogar no Fluminense, que era metido a aristocrata e não aceitava jogadores negros. Aliás, como o Grêmio, que só rompeu essa barreira na década de 50 do século passado, ao contratar o ex-colorado Tesourinha.

Teria muito mais para relatar, mas para pouco mais de dois meses já tem dissabor de sobra. Daqui a pouco, além do “tenho visto coisas”, serei obrigado a aceitar a advertência do meu velho e experiente pai, quando vivo:  “É sinal de que o final dos tempos está chegando!”.  Acho que vou fugar pras montanhas.