sábado, 8 de fevereiro de 2014

O rádio esportivo

De todas as mídias o rádio é a que mais me fascina. “Teatro da mente”, na opinião de experts, “divertimento de cegos”,  segundo os insensíveis, o rádio mantém sua vitalidade nestes tempos de pressão da internet sobre todas as forma de comunicação.  Seus principais atributos estão na agilidade, o aqui e agora que nem as redes sociais conseguem superar e a portabilidade que os outros meios ainda ficam a dever.  Experimente assistir  a TV por celular caminhando no Calçadão de Ipanema?

Faço essa rápida introdução louvadora diante do quadro atual do rádio gaúcho, ao qual acredito que tenha dado minha contribuição em mais de 20 anos de atuação nas três principais emissoras  de informação.  Comecei trabalhando na Difusora,  hoje Band para onde voltei como coordenador de Jornalismo e Esporte numa de minhas tantas migrações.  Mas foi na grande Guaíba da década de 70, como coordenador de esportes e  convivendo com um time de cobras amestradas, que consolidei minha formação e me apaixonei definitivamente pelo rádio.  Como sempre, o mundo girou e um dia voltei a Guaíba,  agora como gerente de programação.  Na rádio Gaúcha foram duas passagens também,  primeiro como produtor de programas e depois como gerente de esportes, quando tive a oportunidade de participar de linha de frente de uma Copa do Mundo, em 1994. Tempos gloriosos aqueles.  Fui também diretor da FM Cultura, o que muito me orgulha.
Mas é sobre emissoras jornalísticas, que cobrem futebol, que volto a falar, aproveitando o gancho de que hoje a Gaúcha está completando 87 anos.  E chega a essa etapa com a liderança inconteste e cada vez mais ampliada.  Liderança feita em cima de muito investimento, especialmente em relação aos profissionais que fazem a sua programação .  Cada vez mais me convenço que o fator humano é o principal ingrediente para o sucesso de qualquer empreendimento e mais ainda de um sistema que vive de informação e opinião, como o rádio.

Por isso, saúdo a mexida do momento,  que levou o Luiz Carlos Reche da Guaíba para a Band. Tenho alguma culpa na trajetória do Reche, lá no seu início de carreira, não chego a ser  fã do seu estilo, mas acho que vai agregar muito para a Band, ao mesmo tempo em que pode representar a  oportunidade para uma mexida de fôlego no Esporte da Guaíba, até então demasiadamente dependente de sua chefia.  Uma mexida como essa não ocorria havia anos em nosso meio e, por si só e pelos desdobramentos que provoca , acaba sendo um processo que traz benefícios para todos:  a Gaúcha não se acomoda, a Band se reforça e a Guaíba se renova.
Por fora corre a Rádio Grenal,  do grupo Pampa, que começa a incomodar.  Mas aí é material para outra análise.