terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Mega

Entre todos os tipos inesquecíveis que cruzarem pela minha vida um em especial se destaca:  o megalômano.  O mais recente exemplar até conseguiu me enganar por um tempo, fantasiando viagens que nunca fez,  contatos importantes que não aconteceram,  relações com poderosos que não existiam, grandes fortunas que viria a ganhar e  que nunca se materializaram.  Mas como ninguém consegue enganar todo o mundo todo o tempo, um dia a ficha caiu e o sentimento que passei a nutrir em relação à figura foi de compaixão porque evidentemente essa megalomania era doença. E doença exige tratamento.

Pensando bem,  o tipo não merecia meus nobres sentimentos, primeiro porque parecia extremamente feliz com o mundo fantasioso que criava e depois porque as invencionices que aplicava serviam também para escapar dos seus deveres funcionais.  Pra ser claro: fugia do batente. Hora a desculpa era uma viagem a um estado distante para tratar de um convite  para importante cargo oficial, hora uma negociação crucial com investidores estrangeiros interessados em empresas que dizia representar, hora até mesmo um delicado tratamento médico a que precisava se submeter. 

Nem sei se a classificação é mesmo como megalômano e admito que sentia uma pontinha de inveja com a capacidade criativa e ficcional do sujeito, mas com o tempo desenvolvi uma forte rejeição a toda e qualquer história dele.  É que meu  HD mental  não precisa de muita coisa para ficar  lotado e o Mega, com seus feitos,  estressava logo meu limitado equipamento.  Assim,  para que os megas se afastem de mim, roguemos.