sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A vida como ela é

Encontro aquele amigo que tem fornecido ao longo do tempo farto material para o ViaDutra.  Quando digo farto material quero dizer que são histórias algo escabrosas. Como vivo numa crise permanente em busca de pautas sempre ouço com atenção o que ele tem a dizer.

Dessa vez a história envolve um cidadão bem colocado na vida, que procurou a matriarca da família e, aos prantos, revelou que tinha sido abandonado pela esposa,  bem mais jovem do que ele. Meu amigo foi chamado para apoiar o deprimido e dele ouviu coisas do arco.  “Ele me contou que tinha uma relação, digamos, aberta com a mulher e que avançavam em práticas sexuais pouco convencionais...”,  contou-me o parceiro, um tanto chocado com as revelações.

Mas a surpresa  maior estava reservada para a continuidade da conversa. “Ele me contou que apesar da vida prazerosa que levavam, sem restrições e com muito conforto, a mulher o havia abandonado...por outra mulher, e ele estava inconsolável.  Fiquei triste de ver  aquele pobre homem, sempre tão senhor de si, agora chorando convulsivamente”,  solidarizou-se meu amigo e eu imediatamente me senti também solidário.

Devo dizer que, diante desses casos, tenho um comportamento republicano e sustentável , seja lá o que isso significa, mas enfim, para dar sequencia à conversa,  perguntei  quais os atributos da ex do sujeito e aí eu é que fui surpreendido:  “Não é bonita, nem charmosa e intelectualmente deixa a desejar”, informou, para depois acrescentar – “Não sei o que viu naquela mulher!”

Foi aí que pensei cá com meus zíperes:  ‘deve ter qualidades outras que nem suspeitamos  para deixar prostrado assim um homem bem colocado na vida, deve ter’.  Que qualidades seriam essas, eis aí uma questão instigante.